Mounjaro no tratamento da obesidade e perda de peso
Nos últimos anos, a busca pelo emagrecimento e por uma melhor qualidade de vida tem aumentado significativamente. A obesidade, fenômeno multifatorial de crescente relevância global e resultado da interação entre fatores biológicos, sociais, culturais e ambientais, é um problema que afeta grande parte da população. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que 1 em cada 8 pessoas vive com obesidade, representando aproximadamente 12 a 15% da população global adulta e jovem afetada pela condição.
O excesso de peso pode estar relacionado ao desenvolvimento de diversas doenças, como diabetes tipo 2, hipertensão, doenças cardiovasculares e problemas articulares ocasionados pela sobrecarga. Diante disso, alguns medicamentos ganharam visibilidade no mercado farmacêutico como forma de auxiliar no tratamento do excesso de peso. O Mounjaro, nome comercial da tirzepatida, é um dos que tem recebido maior destaque nos últimos anos, mas será que apenas o medicamento é capaz de retirar uma pessoa da zona de risco?
A tirzepatida é um composto que atua simultaneamente nos receptores de GLP-1 e GIP, receptores presentes em diferentes tecidos do corpo humano relacionados a processos como a liberação de insulina, o controle do açúcar no sangue e a regulação do apetite.
O hormônio GLP-1 atua no pâncreas para liberar insulina, retarda o esvaziamento do estômago e envia sinais de saciedade ao cérebro, enquanto o GIP, além de estimular a liberação de insulina, atua no metabolismo de gorduras.
Mesmo apresentando benefícios na perda de peso, alguns sintomas, como náuseas, vômitos e diarreia, costumam surgir nas fases iniciais do tratamento. Estudos nacionais recomendam acompanhamento clínico eficiente e uso de protocolos aprovados para minimizar riscos quanto ao uso sem supervisão médica, visto que medicamentos obtidos de fontes não regulamentadas, com dosagem ou composição incertas, ocasionam maiores riscos de eventos adversos.
A grande questão é: até que ponto o Mounjaro pode favorecer a perda de peso e a melhoria da qualidade de vida em pessoas com obesidade?
O princípio ativo do Ozempic é a semaglutida, substância que atua de forma semelhante ao hormônio GLP-1, enquanto o Mounjaro age nos receptores de GLP-1 e GIP. Sabendo-se que o objetivo inicial desses medicamentos era o controle do diabetes, foi notado que a tirzepatida influencia e potencializa a perda de peso, incluindo a redução da gordura corporal e da massa magra em casos nos quais o indivíduo não segue uma rotina de treinamento voltada à força e à hipertrofia.
A perda de peso não está relacionada apenas à redução de gordura corporal. O organismo também pode usar a massa magra como fonte de energia, principalmente quando não há uma boa alimentação e estímulos suficientes para a manutenção da musculatura. A preservação da massa muscular está diretamente ligada à qualidade de vida e à saúde, uma vez que os músculos estão relacionados a uma boa postura, força, equilíbrio, proteção e prevenção de problemas de saúde. Por isso, a prática de exercícios físicos é uma boa estratégia para auxiliar no tratamento, contribuindo para a preservação da massa magra enquanto ocorre a redução do tecido adiposo.
Outro ponto relevante está relacionado à alimentação do indivíduo. A redução do apetite ocasionada pela tirzepatida faz com que a pessoa consuma uma menor quantidade de alimentos durante o dia. Por isso, é necessário garantir que os alimentos ingeridos supram a quantidade de nutrientes necessária para o bom funcionamento do organismo, incluindo proteínas, fibras, vitaminas e minerais.
A escolha do medicamento deve ser baseada na individualidade da pessoa, considerando o histórico de saúde, o uso de outros medicamentos, a presença de doenças, os objetivos e as contraindicações.
O Mounjaro pode favorecer significativamente a perda de peso, mas não deve ser usado apenas por questão estética. O tratamento da obesidade precisa ir além da balança, buscando a redução do excesso de gordura, a manutenção da massa magra, o controle de doenças associadas e a promoção de hábitos que favoreçam uma melhor qualidade de vida geral. Contudo, é necessário entender a obesidade como resultado de inúmeros fatores, o que exige acompanhamento multiprofissional, mudança de hábitos e abordagem individualizada. A tirzepatida, assim como outros medicamentos voltados ao emagrecimento, pode ser uma aliada, mas não é a única responsável pelos resultados gerais do tratamento.