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Calçada não é enfeite, é caminho: como a mobilidade no Centro e no Jacaré afeta seu dia a dia

Quem caminha pelas ruas de Cabreúva, seja no Centro Histórico, no comércio do Jacaré ou em outros bairros, provavelmente já encontrou uma calçada que termina de repente, um degrau alto, um piso irregular, uma rampa inclinada demais ou algum obstáculo dificultando a passagem.
Para algumas pessoas, desviar desses pontos pode parecer apenas um incômodo. Mas imagine a mesma situação para uma pessoa em cadeira de rodas, alguém utilizando muletas ou bengala, uma pessoa idosa, uma mãe ou um pai com carrinho de bebê ou alguém temporariamente com a mobilidade reduzida.
Aquilo que parecia um pequeno obstáculo pode se transformar em uma barreira capaz de impedir uma pessoa de chegar ao comércio, ao trabalho, a uma consulta médica ou simplesmente de circular pela própria cidade.
Por isso, falar sobre calçadas é também falar sobre acessibilidade, segurança, autonomia e cidadania.

O desafio diário do Centro e do Jacaré

Cada região de Cabreúva possui características próprias.
No Centro Histórico, temos ruas antigas, imóveis consolidados e calçadas muitas vezes estreitas. O desafio é tornar esses espaços mais acessíveis preservando também as características e a identidade da região.
No Jacaré, encontramos outro cenário. O intenso fluxo de pessoas e a força do comércio fazem com que as calçadas sejam utilizadas diariamente por muitos pedestres. Degraus na entrada das lojas, rampas inadequadas, pisos desnivelados, postes, placas, mercadorias e outros obstáculos podem transformar um trajeto simples em uma dificuldade.
E quando uma pessoa não consegue utilizar a calçada, para onde ela vai?
Muitas vezes, para a rua.
Nesse momento, um problema de acessibilidade também se transforma em um problema de segurança, aumentando a exposição dos pedestres a acidentes.

Acessibilidade beneficia muito mais pessoas do que imaginamos

Ainda existe a ideia de que acessibilidade é algo pensado exclusivamente para pessoas com deficiência. Não é.
Uma cidade acessível é melhor para uma criança, uma gestante, quem empurra um carrinho de bebê, quem sofreu uma cirurgia, quem quebrou uma perna e, principalmente, para todos nós à medida que envelhecemos.
Talvez hoje você não precise de uma rampa, de uma calçada regular ou de um caminho livre de obstáculos. Isso não significa que nunca precisará.
Acessibilidade não deve ser vista como um benefício concedido a determinado grupo. Ela faz parte da construção de uma cidade onde as pessoas possam circular com segurança e autonomia durante todas as fases da vida.

E o comércio também ganha

Existe ainda um aspecto que merece a atenção dos comerciantes.
Uma pessoa que não consegue entrar em uma loja também não consegue consumir naquela loja.
Uma entrada acessível, uma calçada livre e um atendimento preparado ampliam o número de pessoas que podem frequentar o estabelecimento. Acessibilidade, além de ser um direito, também pode representar oportunidade para o comércio local.
Nem sempre são necessárias grandes intervenções para começar. Observar a entrada do estabelecimento, verificar obstáculos, evitar mercadorias ocupando a passagem e pensar em como uma pessoa com mobilidade reduzida chegaria ao atendimento já são passos importantes.

De quem é a responsabilidade?

Essa é uma pergunta frequente.
Existe responsabilidade do proprietário na construção, manutenção e conservação da calçada em frente ao imóvel, observadas as regras municipais. E existe responsabilidade do poder público na fiscalização, na definição de padrões e na garantia da acessibilidade nos espaços e equipamentos públicos.
Mas existe também uma responsabilidade que é de todos nós: não criar novas barreiras.
Estacionar sobre uma calçada, deixar objetos bloqueando a passagem ou ignorar situações de risco interfere diretamente no direito de outra pessoa circular.
Por isso, além de perguntarmos quem é o responsável, podemos fazer outra pergunta:

O que cada um de nós pode fazer para tornar Cabreúva mais acessível?

Podemos observar a calçada em frente à nossa casa ou comércio. Evitar pisos escorregadios e desníveis durante uma reforma. Manter livre o espaço destinado aos pedestres. Comunicar ao poder público pontos críticos que necessitam de manutenção ou adequação.
E podemos, principalmente, começar a enxergar a cidade pela perspectiva de quem encontra barreiras todos os dias.
Acessibilidade não começa apenas em grandes obras. Começa quando entendemos que os espaços da cidade precisam permitir que diferentes pessoas possam utilizá-los.
Uma cidade acessível não é somente aquela que possui rampas. É aquela que permite que seus moradores saiam de casa, trabalhem, estudem, façam compras, encontrem amigos e participem da vida da comunidade com segurança e autonomia.

Calçada não é enfeite. Calçada é caminho. Garantir que esse caminho possa ser percorrido por todos é também uma forma de construir a Cabreúva que queremos para o presente e para o futuro.